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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Como o Google perdeu e devolveu milhares de contas do Gmail?

O onipotente e onipresente Google deu uma mancada essa semana: dezenas de milhares de usuários perderam seus e-mails e todos os seus contatos. Eles simplesmente desapareceram.
O acidente afetou apenas 0,02% usuários do Gmail. O Google diz que tem centenas de milhões de usuários, o que significa que pelo menos 20.000 pessoas foram afetadas por esta falha.
Na segunda-feira, o Google pediu desculpas, anunciando um processo de restauração de todas essas mensagens.
Ok. Muito bem. Mas a questão é: como o Google conseguiu perder todos esses e-mails, e, principalmente, como foi capaz de “achá-los” de novo, se eles de fato foram perdidos?
A empresa afirma que perdeu os e-mails por causa de uma falha em uma atualização de software que estava em processo de instalação em seus servidores de computador.
Quem conhece bastante sobre o Google, sabe que a empresa armazena várias cópias de tudo em centros de dados; são armazéns enormes cheios de computadores em todo o mundo, em locais secretos. O e-mail que você enviou para sua amiga ontem à noite pode estar escondido na Ásia agora.
E como isso pôde acontecer, se eles têm várias cópias de seus dados, em vários centros de dados em todo o mundo? Segundo a empresa, em alguns casos raros, os problemas em softwares podem afetar várias cópias de dados.
Falha de software? Faz sentido. Como a empresa ainda assim conseguiu recuperar todos esses dados? Resposta: o Google ainda armazena dados em fitas. Não faz nenhum sentido.
O Google não especificou que tipo de fita está usando, mas como observam especialistas, não pode ser uma boa jogada. Eles estimam que seriam necessárias 200 mil fitas para fazer um único backup de cada conta do Gmail.
Ainda assim, a fita tem duas vantagens significativas sobre outros meios de comunicação: custo e portabilidade. Essas duas vantagens aparentemente superam as mais significativas (logicamente falando) desvantagens: a fragilidade, a taxa de substituição, a taxa de fracasso, a vulnerabilidade ao roubo, e os dados não criptografados de armazenamento.
Segundo o Google, as fitas são offline, justamente para protegê-las contra esse tipo de erro de software. Restaurar dados a partir delas também leva mais tempo do que transferir dados de centros online, e por isso o procedimento levou horas em vez de milissegundos.
Mesmo com tudo explicado, o que devemos entender deste incidente?
Muitos especialistas dizem que as empresas de armazenamento de dados como o Google e seus concorrentes Microsoft, Yahoo e Dropbox, são geralmente mais bem equipados para cuidar de dados do que as pessoas normais – que, se fizerem, fazem uma cópia de segurança em discos rígidos.
As empresas tendem a fazer várias cópias, e armazená-las em todo o mundo, para que se um centro de dados queime ou inunde, haja uma abundância de dados em outras localidades suficientemente distantes.
E se a sua casa incendeia? Você perde seu computador e seu disco rígido. Provavelmente ninguém manda uma cópia para a Índia por que “vai que…”.
Então podemos confiar plenamente no Google? Segundo especialistas, nunca há garantia de 100%. Todas as empresas têm acordos de “termos de serviço” com os usuários que garantem uma certa quantidade de tempo de atividade do servidor online, normalmente de 99,9%.
No ano passado, o Google cumpriu essa meta: esteve disponível 99,984% do tempo, tanto para usuários empresariais quanto consumidores.
Ainda assim, os usuários enlouquecem se serviços online gratuitos entram em pane nem que seja por um curto período de tempo. E isso é provavelmente o motivo pelo qual o Google e outras empresas vão a tais extremos para evitar a perda completa de dados de usuários. [CNN]

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Descoberto animal movido a luz solar

Animais são estranhos – uma fonte de energia tremenda bem em cima da cabeça deles, e eles preferem obter energia pelo trabalhoso método de comer e digerir comida. Por que não fazem como as plantas, e usam a luz do sol?
Bom, alguns animais fazem, como os corais que têm algas (que por sua vez produzem açúcares), além de um monte de animais que copiaram esta ideia, por exemplo esponjas e lesmas-do-mar. Tem também a vespa que converte luz solar em eletricidade. Existe até a suspeita de que alguns afídios aproveitam a luz solar de alguma forma.
Mas, se você olhar esta lista, vai ver que nenhum deles é um vertebrado. Até agora, não se conhecia nenhum vertebrado que aproveitasse a luz solar. Recentemente, um suspeito de longa data, a salamandra manchada, Ambystoma maculatum, foi confirmada como um animal que aproveita a luz solar.

Suspeito de longa data

Já se sabia, pelo menos desde 1888, que as salamandras tinham um relacionamento com as algas Oophila amblystomatis. A salamandra coloca seus ovos na água, e as algas os colonizam.
E é um relacionamento que tem todo jeito de ser simbiótico, ou seja, os dois ganham vantagens sobre ele. Os embriões liberam seus dejetos que são aproveitados pelas algas que, com os dejetos e a luz do sol, produzem oxigênio. E é um relacionamento tão importante que os embriões que têm pouca ou nenhuma alga morrem com frequência.
Em 2011, os cientistas fizeram nova descoberta: a alga estava entrando dentro dos embriões, e, em alguns casos, dentro das células dos embriões. Provavelmente, os embriões estavam pegando mais do que oxigênio das algas – estavam pegando a glucose produzida por elas. Em outras palavras, as algas estavam funcionando como geradores de energia interna para as salamandras.

Carbono 14 para o teste

Para testar esta hipótese, Erin Graham, da Universidade Temple, em Filadélfia, Pensilvânia (EUA) e seus colegas incubaram ovos de salamandra em água contendo carbono-14, radioativo. As algas usam este isótopo na forma de dióxido de carbono, produzindo glucose radioativa.
Graham descobriu que os embriões se tornaram radioativos – e não deveriam. Como estavam dentro dos ovos, tudo que eles precisavam do meio ambiente era oxigênio. O ovo continha, ou deveria conter, todo o nutriente que eles precisavam, e certamente não tinha carbono-14.
Graham descobriu também que, se os embriões se desenvolvessem no escuro, não se tornavam radioativos, comprovando que realmente era a atividade de fotossíntese das algas que estava fornecendo carbono-14 aos embriões.
Esta simbiose não é essencial, mas é importante, já que sem as algas a taxa de sobrevivência dos embriões é menor, e o crescimento deles é mais lento.

Única exceção?

Ainda não se sabe como as algas entram nas células da salamandra, mas a descoberta abre a possibilidade para que existam outros vertebrados que se aproveitem da fotossíntese de forma semelhante. Todos os animais que põem ovos na água são bons candidatos. Algum outro anfíbio ou peixe pode estar fazendo isto, mas é pouco provável que uma ave ou mamífero esteja. As crias destes animais ficam seladas do ambiente durante seu desenvolvimento. [NewScientist]

Rio de 1.500 km é descoberto em Marte

original
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Os astrônomos da ESA, a Agência Espacial Europeia, liberaram imagens 3D incríveis da parte superior da região Reull Vallis, de Marte, que revelam o leito seco de um rio de 1.500 km de comprimento.
Originalmente, o rio, que em partes tinha 7 km de largura e 300 metros de profundidade, corria das serras de Promethei Terra para a enorme bacia Hellas. Para comparar, o rio Amazonas tem a largura máxima de 11 km (estação da seca) a 50 km (estação das chuvas), com 100 metros de profundidade.
As câmeras estereoscópicas a bordo do Mars Express também revelaram numerosos tributários que alimentavam o rio gigantesco.
À direita das imagens, podem ser vistas as montanhas de Promethei Terra, elevando-se a 2.500 metros acima das regiões planas ao redor, uma paisagem não muito diferente de outras do nosso planeta.

Igual à Terra

A equipe de cientistas da Mars Express informou que o rio tinha água em abundância entre 3,5 e 1,8 bilhões de anos atrás, durante o período Hesperiano.
Depois, começou o período Amazoniano, que invadiu o Reull Vallis com uma geleira. Esta geleira escavou o vale em que o rio estava, empurrando detritos e gelo, e causando as bordas vivas que podem ser vistas nas imagens.
Reunindo os dados dos robôs e sondas da Nasa e ESA, percebe-se que Marte sofreu os mesmos processos geológicos que aconteceram na Terra.
Geólogos planetários acreditam que o Reull Vallis é idêntico a outros vales glaciais da Terra, como o que pode ser visto no Yosemite, EUA. A certo ponto, Marte pode ter se parecido com isto:
parecido
Muito mais tarde, o vale sofreu o impacto de meteoros, originando as crateras que podem ser vistas nas imagens abaixo. Acredita-se que elas e outros aspectos da paisagem podem conter bastante gelo.[ESA, Gizmodo]
Vista aérea, em cor natural
Vista aérea, em cor natural
Vista em perspectiva, mostrando um tributário conectando com o rio, no meio da imagem
Vista em perspectiva, mostrando um tributário conectando com o rio, no meio da imagem
As setas na foto destacam o rio e um dos seus tributários
As setas na foto destacam o rio e um dos seus tributários
O Reull Vallis em uma vista de perspectiva, com uma cratera preenchida de sedimentos em primeiro plano
O Reull Vallis em uma vista de perspectiva, com uma cratera preenchida de sedimentos em primeiro plano
Imagem estereoscópica, para quem tiver óculos anaglíficos (lente esquerda vermelha, lente direita azul ou ciano) para ver em 3D
Imagem estereoscópica, para quem tiver óculos anaglíficos (lente esquerda vermelha, lente direita azul ou ciano) para ver em 3D

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Se fazer de difícil realmente vale a pena

A famosa postura “se fazer de difícil” tem funcionado por muito tempo. Enquanto alguns dizem que a atitude não adianta ou até atrapalha, a ciência confirma que fingir não estar interessado em um parceiro em potencial para fazê-lo o querer mais pode realmente valer a pena.
No estudo, publicado no European Journal of Personality, psicólogos fizeram quatro experimentos diferentes para determinar como e por que as pessoas se fazem de difíceis, e se ou quando isso funciona para atrair um companheiro.
Em um dos experimentos com 500 universitários americanos, os participantes identificaram, entre uma lista de 58 estratégias, “agir confiante” e “conversar com outras pessoas” como os dois métodos mais comumente usados para se fazer de difícil.
Mas havia pequenas diferenças de estratégias entre os sexos. Mulheres tendiam a “não telefonar”, “não falar muito” e “se manter ocupada” mais do que os homens. Eles, quando queriam parecer menos disponíveis, usavam mais do que mulheres três métodos: “agir arrogante ou rude”, “dizer todas as coisas certas, mas não telefonar” e “tratar mal os outros”.
Os pesquisadores também descobriram que as mulheres se fazem mais de difícil do que os homens.
“As mulheres conseguem os maiores benefícios dessa atitude, porque lhes permite testar os homens e aumentar a demanda de interessados nelas”, disse o autor do estudo, Peter Jonason, professor assistente de psicologia na Universidade da Austrália Ocidental, em Sydney.
“Como as mulheres têm maior valor no mercado de relacionamentos, elas podem se dar ao luxo de se fazer de difícil mais do que os homens”, explica. “Os homens que são muito difíceis podem perder uma oportunidade de relação”.
Outro experimento com cerca de 300 estudantes universitários americanos identificou as duas principais razões para se fazer de difícil: aumentar a demanda (fazer um potencial parceiro lhe querer mais) e testar a vontade de um parceiro de estar em um relacionamento sério (avaliar e manter o interesse do possível companheiro).
O estudo também descobriu que, para um relacionamento sério, as mulheres preferem um homem com disponibilidade média (que não é muito fácil nem muito difícil de obter), enquanto os homens preferem mulheres com baixa disponibilidade (mais difíceis de obter).
Se for apenas uma “ficada”, no entanto, os resultados mudam: se você é uma mulher à procura de um encontro romântico casual, não vale a pena se fazer de difícil. Já se você é um homem à procura de uma aventura casual, vale a pena se fazer de difícil.
Por fim, um experimento com 425 estudantes universitários revelou que, quando se trata de gastar dinheiro e tempo com um parceiro romântico, quanto menos disponível ele é, mais o companheiro em potencial está disposto a investir tempo e dinheiro nele ou nela.
A pesquisa concluiu que se fazer de difícil pode ser benéfico, sendo o mais óbvio benefício atrair um companheiro de alta qualidade com o maior nível de compromisso para um relacionamento de longo prazo.
Porém, os pesquisadores admitem que, como o estudo só analisou o comportamento de universitários, os resultados podem não se aplicar a outras faixas etárias de pessoas solteiras. [NBCNews]